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MORTES DE MOTOCICLISTAS JÁ SÃO CONSIDERADAS EPIDEMIA GLOBAL

Países membro da ONU debatem estratégias e desafios para reduzir os altos índices de mortalidade. Apesar das diferenças regionais, o problema é geral Países membro da ONU debatem estratégias e desafios para reduzir os altos índices de mortalidade. Apesar das diferenças regionais, o problema é geral

Países membro da ONU debatem estratégias e desafios para reduzir os altos índices de mortalidade. Apesar das diferenças regionais, o problema é geral Um veículo rápido, capaz de driblar engarrafamentos e com custo mais acessível a boa parte população. Com estas características, as motocicletas têm se tornado cada vez mais populares em países em desenvolvimento, sobretudo em áreas rurais e comunidades mais carentes. O Camboja, por exemplo, tem uma população de 15 milhões de pessoas e uma frota de motos que ultrapassa a casa dos 2 milhões. Na Nigéria, os veículos de duas rodas ganham cada vez mais adeptos e muitos são utilizados como “taxis”. O Brasil também se enquadra neste perfil, atualmente 26% da frota nacional é composta de motos. O aumento exponencial de veículos, no entanto, veio acompanhado do crescimento de mortes e feridos no trânsito. O diagnóstico foi feito durante a 2ª Conferencia Globalde Alto Nível sobre Segurança no Trânsito. Durante o encontro, ministros e autoridades de diversos países apresentaram seus desafios e debateram estratégias para alcançar um modelo viário mais seguros na Sessão “Segurança para Motociclistas”. Uma das propostas apresentadas é incentivar o uso do transporte coletivo. A ideia é que com alternativas seguras e confiáveis de transporte público, as pessoas deixem de utilizar a moto para locomoção nos compromissos diários. “A escolha pela moto está relacionada, muitas vezes, a questão econômica do usuário”, destacou Eugênio Diniz, professor da Fundacentro de Minas Gerais e representante brasileiro no debate. O Ministro de Transportes do Camboja endossou a proposta de direcionar as pessoas ao transporte coletivo. “Precisamos pensar na redução progressiva no número de motocicletas nas ruas. Precisamos de uma política que encoraje o modal público. Transporte de massa diminui o congestionamento e melhorar a mobilidade urbana”, enfatizou. Na França, por exemplo, o uso de metrô e trens é cotidiano nas grandes cidades. Talvez por isso a popularidade da motocicleta não seja grande – elas representam apenas 1,5% da frota francesa. No entanto, isto não impede que a sua letalidade seja altíssima, 24% das vítimas fatais nas vias do país são motociclistas. Para tentar frear o crescimento de acidentes, tornou-se obrigatório o uso de roupas de proteção e as placas dos veículos foram ampliadas para que possam ser identificados nos radares eletrônicos de velocidade. Legislação e educação – Para reduzir a mortalidade nas vias, a solução também passa pelo incentivo a projetos educativos, por mudanças na legislação e por reforço nas ações fiscalizatórias e coercitivas. Na Nigéria, por exemplo, não é exigido habilitação para conduções de moto, só o registro oficial dos veículos. Há países em que não tem legislação especifica para o uso do capacete, apesar do consenso sobre o poder de evitar mortes e sequelas graves. Na Tailândia, seu uso é opcional. E nos Estados Unidos, o instrumento também enfrenta resistência em diversos estados. “As motocicletas são relacionadas com a liberdade. O capacete é a perda da individualidade”, destaca o Jeffrey Michael, gestor da Administração Nacional para Segurança do Trânsito nas Estradas do s EUA. No Brasil, existem leis que obrigam o uso do capacete e que proíbem a condução de crianças menores de sete anos em motos. Porém, não é raro encontrar, sobretudo no Norte e Nordeste, motociclistas sem capacetes e crianças pequenas e até bebês nas garupas destes veículos.

O professor da Fundacentro de Minas Gerais, Eugenio Diniz, enfatiza que a desobediência à lei se reflete no número de acidentes, feridos e mortos.“O Brasil é um país bem heterogêneo, com bastante diferenças sociais e culturais. Os maiores índices de acidentes estão nos locais mais pobres e com menor informação. É preciso investir em ações educativas. No Nordeste 50% dos internados no centro de terapia intensiva são vítimas do transito”.

Inovações tecnológicas - O desenvolvimento de novas tecnologias de segurança também é uma das apostas para reduzir o número de mortes de motociclistas apontadas durante a 2ª Conferência Segurança Viária. No evento, a Organização Mundial de Saúde apresentou um modelo de capacete mais seguro e confortável, feito de material leve, designer arrojado e um sistema de ventilação interna. A proposta é incentivar o uso e a aceitação do item de segurança pelos motociclistas, sobretudo em países tropicais. “Na Tailândia, as pessoas não usam porque faz muito calor”, destaca o Ministro Adjunto de Transporte do país, OrmsinVhivapruck.

A melhoria de itens tecnológicos no próprio veículo também é uma aposta para reduzir acidentes. Um sistema de frenagem ABS, já em uso em alguns modelos de motocicletas, evita acidentes. Outra inovação, que ainda está em estudo e pode ser um aliado na redução de mortes, é a comunicação entre veículos. “É uma solução a longo prazo. Ainda estão em testes para carro, mas sou otimista em relação ao seu potencial”, destaca o gestor americano.

Outra proposta apresentada no painel foi a modernização das vias. As vias e estradas também precisam ser modernizadas. O guard rail (mureta), por exemplo, dão segurança aos carros, mas são perigosíssimos para as motos. O Ministro do Camboja aproveitou o debate para pedir apoio à ONU no que se refere à garantia de financiamento para melhorar a qualidade das vias nos países em desenvolvimento, sobretudo as rurais, locais com maiores índices de acidentes.

Fonte: Agência Saúde Atendimento à imprensa – Ascom/MS

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