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Novo currículo para formação de motoristas e motociclistas é apresentado em Brasília

Representantes dos DETRANS (Departamentos de Trânsito) do Brasil, de Centros de Formação de Condutores (CFCs), membros do DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito) e deputados, acompanharam a apresentação da proposta de novo currículo teórico para formação de condutores no Brasil, em Brasília, no dia 22 de outubro. O estudo é resultado de um trabalho que vem sendo realizado desde 2013, após audiência pública solicitada e coordenada pelo Deputado Hugo Leal, presidente da Frente Parlamentar pelo Trânsito Seguro, na qual o ONSV (OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária) ficou responsável pela compilação de propostas e elaboração do texto final.

O estudo foi apresentado pela pedagoga e responsável pela área de Educação do OBSERVATÓRIO, Roberta Mantovani, e pelo responsável técnico da entidade, Paulo Guimarães.

De acordo com o OBSERVATÓRIO, o estudo propõe uma reformulação dos conteúdos do cursos/aulas teóricas para os condutores na categoria B, e na forma em que eles são repassados e cobrados dos alunos no processo de aprendizagem para a condução de um veículo.

O estudo do OBSERVATÓRIO terá continuidade e prevê novas etapas como a construção de novos conteúdos teóricos para a formação de condutores na categoria A, propostas para o uso dos simuladores de direção, novos conteúdos para as aulas práticas (bem como novos protocolos), desenvolvimento de plano de aulas e revisão da avaliação e exames práticos dos motoristas.

NOVOS CONTEÚDOS De acordo com a entidade, só é possível repensar e melhorar o processo de formação dos motoristas, analisando o conteúdo, a escola – CFCs, os instrutores e o Sistema Nacional de Trânsito, que interferem diretamente no processo. A proposta dos novos conteúdos segue um referencial já adotado em países da União Europeia, no qual os temas são trabalhados de forma pedagógica, num processo que alinha cada etapa do aprendizado (os conhecimentos e habilidades do aluno, os conhecimentos e riscos envolvidos no ato de dirigir e a auto avaliação – chama o aluno a refletir sobre como ele escolhe agir em cada situação do trânsito).

O OBSERVATÓRIO desenvolveu também um banco de conteúdos para os motoristas que buscam a formação na Carteira Nacional de Habilitação tipo “B”. Esse banco ou currículo conta com 23 matrizes pedagógicas, que nada mais são que 22 temas gerais a serem trabalhados com os alunos dos centros de formação na etapa docurso teórico (podemos exemplificar entre eles: normas e regras de circulação e manobras, conceitos de Direção Defensiva e implicações do estado físico e psicológico do condutor na direção); e 22 temas específicos (controle de velocidade, distância de segurança e ultrapassagens, entre outros).

A grande mudança no processo está na forma de tratamento ou abordagem dado aos conteúdos. Foi adotado um modelo que considera a definição de objetivos educacionais em quatro níveis de conhecimento para a aprendizagem da condução: os níveis mais baixos (1 e 2) compreendem aspectos cognitivos, operacional e tático (controle do veículo, velocidade, direção e posição), o Nível (3) está ligado a fatores motivacionais e emocionais relacionados com a condução; e, no último nível (4), está relacionado aos motivos pessoais e tendências, crenças, auto avaliação e habilidades sociais.

Segundo a coordenadora do estudo, a educadora Roberta Mantovani, responsável pela Área de Educação do OBSERVATÓRIO, existe um consenso da necessidade de ter um novo condutor nas ruas e para isso, é preciso propor revisões, alterações na legislação, nas relações pedagógicas durante a formação e metodologia. “Num país com índices de acidentes tão elevados, somos o 4° país que mais mata no trânsito, pouco se debate sobre a formação que é decisiva para mudar esse cenário de violência no trânsito”, argumenta. E o fato dos acidentes acontecerem majoritariamente com o público jovem, com o condutor recente, é que precisamos, de forma urgente, implantar essas mudanças.

O Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, totalmente dedicada a desenvolver ações que contribuam de maneira efetiva para a diminuição dos elevados índices de acidentes no trânsito do nosso país.

Fonte: http://www.onsv.org.br

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